domingo, 15 de janeiro de 2012

Duo Barrenechea e Hugo Pilger tocam repertório do CD "A Música para Flauta de Francisco Mignone" em Portugal e Inglaterra


O Duo Barrenechea e o viloncelista Hugo Pilger apresentam uma série de concertos, masterclasses e palestras em Portugal e Inglaterra para divulgar o CD triplo "A Música para Flauta de Francisco Mignone" em fevereiro de 2012.


Segunda-feira, 13/02/2012 às 18:00 - Concerto no Palácio Foz, Praça dos Restauradores, 25-45, 1250-187, Lisboa. Organização: Caravelas - Núcleo de Estudos da História da Música Luso-Brasileira.

Terça-feira, 14/02/2012 às 15:00 – Masterclasse sobre Musica Brasileira - Conservatório de Música Porto, Praça Pedro Nunes, Porto.

Quarta-feira, 15/02/2012 às 19:00 - Concerto no Grande Auditório Conservatório de Música do Porto , Praça Pedro Nunes, Porto

Quinta-feira, 16/02/2012 às 18:00 - Concerto - Universidade de Aveiro, Auditório do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro

Sexta-feira, 17/02/2012 às 17:00 - Palestra sobre Música Brasileira - Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian, Av. Dr. Artur Ravara, 3810, Aveiro

Sexta-feira, 17/02/2012 às 21:30 - Concerto - Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian, Av. Dr. Artur Ravara, 3810, Aveiro

Segunda-feira, 20/02/2012 às 19:30 – Concerto - Bolívar Hall, Embaixada da Venezuela, 56 Grafton Way, Londres.

Sexta-feira, 24/02/2012 às14:00 – Concerto "Dances from Brazil" na St. Philips with St. Stephens Church Encombe Place, Organização:  School of Media, Music and Performance (SMMP) the University of Salford, Salford


O programa se constitui de obras de Francisco Mignone.


Duo Barrenechea convida Hugo Pilger

Recital Francisco Mignone (1897-1986)
Lançamento do Cd triplo “A Música para Flauta de Francisco Mignone”

PROGRAMA

Céo do Rio Claro (1930)

7ª Valsa de Esquina (1940)

Lenda Brasileira nº 3 (1942)

Três Peças (1931-1947)
I. No Fundo do meu quintal
II. Lenda sertaneja n.8
III. Cucumbizinho

Trio nº 1 para flauta, cello e piano (1981)
I. Andante
II. Modinha: devagar e romântico
III. Festança sem boi: Molto vivo

Aquela modinha que o Villa não escreveu (1981)

Modinha (1939)

Trio nº 2 para flauta, cello e piano
I. Lento ma non troppo
II. Outra modinha
III. Roda – Intermédio e Fugato: Allegro non troppo




sÉrgio Barrenechea, flauta
HUGO PILGER, violoncelo
lÚcia barrenechea, piano



Comentários extraídos do encarte do CD triplo
A Música para Flauta de Francisco Mignone”

Apesar do público contemporâneo associar a figura de Francisco Mignone (1897-1986) ao ideal nacionalista e principalmente à sua música para piano solo, sua produção é bem diversificada, compreendendo de obras sinfônicas à ópera, de canções à música de câmara em estilos e tendências estéticas variadas.
Sua contribuição ao repertório para flauta transversal, a despeito de ser ainda pouco conhecida, pode também ser considerada importante não somente por apresentar grande número de obras que incluem a flauta, mas também pela maneira inventiva em que este instrumento é utilizado, freqüentemente exigindo habilidades virtuosísticas do executante. Mignone compôs mais de trinta obras para música de câmara, entre originais e transcrições, que incluem a flauta transversal. Provavelmente esta predileção pelo instrumento se deve ao fato de seu pai, Alfério Mignone,[1] ter sido um flautista profissional e de Francisco Mignone também ter tocado este instrumento na juventude.
Esta antologia de gravações apresenta parte deste repertório e inclui, seguindo a tendência do compositor, algumas transcrições e adaptações de obras originais para outras formações, feitas especialmente para esta oportunidade. Este repertório é representativo da produção de Mignone ao apresentar as características estilísticas que caracterizaram sua trajetória composicional: 1) música popular composta sob pseudônimo de Chico Bororó, 2) eurocentrismo e neoclassicismo sem intenção nacionalista explícita; 3) nacionalismo; 4) dodecafonismo e procedimentos seriais; 4) síntese, na maturidade do compositor, de duas ou mais características mencionadas.

Música popular: Chico Bororó

Das obras populares compostas na juventude sob o pseudônimo de Chico Bororó,[2] foram selecionadas quatro peças, por terem sido gravadas por seu pai, em 1930, tocando a parte melódica principal na flauta - caso da valsa-choro Céo do Rio Claro-, ou realizando um contraponto bem elaborado. Apesar de terem sido compostas anteriormente, todas estas obras de Chico Bororó foram gravadas pelo selo Parlophon que registrou neste período dezenove composições de Mignone, muitas com a Orquestra Paulistana dirigida e regida por seu pai.

Música nacionalista

No âmbito das obras nacionalistas, não poderia faltar a mais importante contribuição de Mignone para a música nacionalista, a valsa. Têm-se quatro valsas selecionadas. Mignone declara que decisão de escrever a série Valsa de Esquina resultou da constatação, em conversa com Mário de Andrade, de que a valsa brasileira tinha recebido a menor carga de influência da música americana, permanecendo, apesar da origem européia comum, genuinamente brasileira.[3]

O compositor transcreveu duas das suas Valsas de Esquina para combinações que incluem a flauta, as de número sete e dez. A 7ª Valsa de Esquina[4] foi escrita originalmente em 1940, dedicada a Sá Pereira e transcrita para flauta e cordas e para flauta e piano. Um aspecto interessante desta composição é a utilização da citação de um motivo de Villa-Lobos, que ele indica na partitura da versão original com a frase “Homenagem a Villa-Lobos”.
Mignone transcreveu três peças nacionalistas para piano solo para a formação flauta e cordas, provavelmente por encomenda de seu pai. Portanto, No fundo do meu quintal, Lenda Sertaneja n.8 e Cucumbizinho estão agrupadas em uma pequena suíte com o título de 3 Peças. A transcrição foi sempre um procedimento comum para Mignone. É interessante notar que estas três obras compostas originalmente em períodos diversos se agrupem tão bem em um esquema rápido-lento-rápido, aspecto sugerido na cartilha marioandradiana como benéfico para o nacionalismo musical brasileiro.

A Lenda Brasileira n. 3, dedicada ao musicólogo Nicolas Slonimsky, é uma peça para piano solo raramente tocada que carrega uma estrutura rapsódica de caráter improvisatório. Nessa obra Mignone revela sua familiaridade com a escrita pianística, explorando a sonoridade do instrumento em variadas texturas.

Modinha foi composta em 1939 para violoncelo e orquestra. Posteriormente, Mignone a transcreveu para violoncelo e piano e para piano solo. É uma obra na qual o compositor explora as origens do estilo seresteiro. A adaptação para flauta em sol e piano, apresentada aqui, reflete bem a atmosfera sonora da obra.


Música da maturidade

Composta em 1981, Aquela Modinha que o Villa não escreveu faz parte do conjunto de 16 valsas para fagote solo, dedicadas ao fagotista francês, radicado no Rio de Janeiro,  Noel Devos. Nesta peça, Mignone novamente explora sua verve cômica no título e a melancolia melodiosa da valsa brasileira no texto musical.

Do mesmo ano são seus dois trios para flauta, violoncelo e piano, compostos apenas em um período de duas semanas. Estas obras demonstram características de seu último período composicional, ao representar seu retorno à escrita tonal. Mignone descreve as circunstancias da composição dos trios como “uma suposta paródia verdiana: ‘voltemos ao passado, talvez seja um progresso.’ Uma volta ao que já fui depois de ter vencido barreiras dentro e fora do pentagrama.”[5]

Portanto, estas duas obras apresentam um estilo neo-romantico com leves colorações nacionalistas em um esquema formal bem convencional em três movimentos que alternam a estratégia esquemática rápido-lento-rápido. As semelhanças continuam, pois as duas obras tem primeiros movimentos de caráter mais dramático, movimentos centrais baseados em estilo de seresta (Modinha e Outra Modinha) e terceiros movimentos (Festança sem Boi e Roda-Intermédio e Fugato) em forma rondó com caráter “brincalhão”, típico do compositor, com utilização de temas que lembram o repertório tradicional de músicas infantis.

O projeto deste CD triplo é fruto de pesquisa realizada na UNIRIO, coordenada pelo Prof. Sérgio Barrenechea,  e tem o imprescindível apoio financeiro da FAPERJ, possibilitado pelo Edital de Apoio às Artes de 2008. Este produto artístico, constituído de uma coletânea de três CDs com repertório que em sua maior parte está sendo registrado pela primeira vez, buscou resgatar obras relevantes da literatura para flauta na música de câmara de Francisco Mignone, tentando contribuir assim para a sua divulgação entre o público e músicos interessados em sua performance, O projeto contou com um grupo de músicos de notória excelência artística, estudantes dedicados e pesquisadores de notória competência, todos ligados de alguma forma ao Instituto Villa-Lobos da UNIRIO.


Ficha Técnica do CD:
Gravação: Sala Villa-Lobos, Instituto Villa-Lobos/UNIRIO por Sérgio Barrenechea (assistentes: Pedro Barrenechea e Miguel Barrenechea) em 22/06/2009, 8 a 14/01/2010 e 7 e 8/02/2010.

Músicos: Sérgio Barrenechea, flauta, piccolo e flauta em sol  – Lúcia Barrenechea, piano – Hugo Pilger, violoncelo – Luís Carlos Justi, oboé - Carlos Prazeres, oboé  – Fernando Silveira, clarineta – Elione Medeiros, fagote - José Benedito Viana Gomes, flauta – Nilton  Antonio Moreira Jr., flauta – Felipe Braz da Silva, flauta


Produção executiva: Sérgio Barrenechea e Joana Cunha
Edição e Mixagem: Sérgio Barrenechea e Luis Tornaghi
Masterização: Luis Tornaghi
Projeto Gráfico: Paulo Verardo
Revisão de texto: Edmilson Chagas
Preparação das partituras: Luíza Braga e Felipe Braz da Silva
Agradecimentos:
Maria Josephina Mignone, Flávio Silva (FUNARTE), FAPERJ, Elione Medeiros, Fernando Silveira, Hugo Pilger, Lúcia Barrenechea, Luís Carlos Justi, Carlos Prazeres, José Benedito Viana Gomes, Nilton Antonio Moreira Jr., Felipe Braz da Silva, Kamilla Thaís do Nascimento, Luíza Braga Moura, Pedro Barrenechea, Miguel Barrenechea,

Apoio: FAPERJ
Instituto Villa-Lobos / CLA / UNIRIO


Sérgio Barrenechea nasceu em Brasília, iniciando seus estudos musicais na Escola de Música de Brasília. Concluiu seu bacharelado em flauta na Universidade de Brasília e seu mestrado no Boston Conservatory, EUA. Realizou seu doutorado na University of Iowa, EUA, onde teve oportunidade de se apresentar em master-classes de renomados flautistas como Julius Baker, Walfrid Kujala, Carol Wincenc e Keith Underwood. Atuou como solista com o La Fosse Baroque Ensemble, a Orquestra Filarmônica de Goiás, a Orquestra Jovem de Brasília, a Orquestra Sinfônica de Goiânia e a Orquestra de Câmara Goyazes. Foi primeiro flautista da Orquestra Filarmônica de Goiás e atuou como músico convidado da Orquestra do Teatro Nacional Cláudio Santoro, da Cedar Rapids Symphony Orchestra e da Orquestra Sinfônica Brasileira. Participou do corpo docente de várias edições do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (2002 a 2005 e 2007), do 25º Festival de Música de Londrina (2005), do Festival "Inverno em Festa" em Palmas – Paraná (2006), do Festival de Música de Câmara de Caxias do Sul (2008) e do 21º Inverno Cultural da UFSJ (2008). Tem atuado intensamente como flautista do Quinteto Brasília, e eventualmente do Quinteto Villa-Lobos. Sérgio Barrenechea foi professor da Universidade Federal de Goiás e professor convidado da Universidade de Brasília. Atualmente, é professor adjunto de flauta transversal no Instituto Villa-Lobos/UNIRIO, onde também atua no Programa de Pós-Graduação em Música (mestrado e doutorado).

Hugo Pilger iniciou seus estudos de violoncelo na FUNDARTE (Fundação de Artes de Montenegro-RS) em 1985 com o professor Milton Bock. Em 1987 passou a estudar no Rio de Janeiro com o professor Marcio Malard. Formou-se no curso de Bacharelado em Instrumento Violoncelo na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) na classe do professor Alceu Reis. Participou de “Master Classes” com importantes violoncelistas como Marcio Carneiro, Antonio Del Claro, Arturo Bonucci, Antonio Meneses e Bernard Greenhouse. Como solista já se apresentou com várias Orquestras, dentre elas: Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES), Orquestra SESI-FUNDARTE (RS), Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, Orquestra do Teatro da Paz (PA), Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba, Orquestra Ouro Preto (MG), Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro de Porto Alegre (RS), Orquestra Sinfônica Nacional (UFF), Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Já se apresentou em diversos países como Inglaterra, Portugal, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, México, Espanha, França, Alemanha, Hungria, Dinamarca e Noruega. É primeiro violoncelo da Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES), integrante do Trio Porto Alegre, do Quarteto Radamés Gnattali e professor de violoncelo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Em 2006 fez a estreia no Brasil da importante obra para violoncelo e orquestra “Tout um Monde Lointain” do compositor francês Henri Dutilleux e em 2009 a estréia sul-americana do concerto para violoncelo e orquestra “Pro et Contra” do compositor estoniano Arvo Pärt. Das obras que lhe foram especialmente dedicadas, destacam-se: “Sonata nº 2 para Violoncelo Solo” do compositor inglês David Ashbridge, “Serenata Pro Pilger” de Maurício Carrilho e “Reflexões Sobre A Ostra e O Vento” para Violoncelo e Orquestra de Cordas de Wagner Tiso.

Lúcia Barrenechea é professora de piano no Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, onde também atua no programa de Pós-Graduação em Música - mestrado e doutorado. Pianista formada pela Universidade Federal de Goiás, realizou mestrado em música na Universidade de Boston, EUA, e doutorado em piano e pedagogia do piano na Universidade de Iowa, EUA. Atuando intensamente como solista e camerista, Lúcia Barrenechea se apresentou em concertos com a Orquestra Sinfônica Estadual de São Paulo, com a Orquestra Filarmônica de Goiás, com a Orquestra Sinfônica de Goiânia, e com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, sob regência de Eleazar de Carvalho, Parcival Módolo e Fábio Mechetti, assim como em recitais solo e de câmara, com diversos artistas de renome. Gravou, em 2008, um CD de obras para trio com piano, com a violinista Mariana Salles e o violoncelista Marcelo Salles, pelo selo Brasil Meta Cultural e um Cd de piano solo “Saracoteio” (2009) com repertório de compositores brasileiros. Lecionou na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás e apresentou-se em Paris na “I International Villa-Lobos Conference” (2002), como recitalista e palestrante. Tem sido freqüentemente convidada para participar, como professora de piano e pianista camerista, de inúmeros festivais de música em várias cidades brasileiras. Desde 1989 forma o Duo Barrenechea com seu marido, o flautista Sérgio Barrenechea, que se propõe a explorar o vasto repertório para a formação de flauta e piano, incluindo a divulgação de música brasileira erudita e popular. Em 2008, o Duo lançou seu primeiro CD “Momentos em Paris”, com repertório de músicas de compositores franceses.



CONTATO:
E-mail: contato@duobarrenechea.mus.br
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Tel (21) 3435-3952 / 8251-5165


[1] Alfério Mignone, flautista italiano radicado em São Paulo, foi membro fundador da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e professor no Conservatório Dramático e Musical, atuando na cena musical paulista de 1896 até os anos 1950.
[2] Aluísio de Alencar Pinto discute a produção de Chico Bororó no capítulo “Francisco Mignone e a música popular brasileira.” In Mariz, Vasco ed. (1997). Francisco Mignone: o homem e a obra. Rio de Janeiro: FUNARTE/Editora UERJ, 1997, pgs 137-146.
[3] Gavina, Leonardo ed. Francisco Mignone: Depoimento. Rio de Janeiro: Fundação Museu da Imagem e do Som, 1991. pg..7.
[4]  As obras 2ª Valsa de esquina, 7ª Valsa de esquina, 10ª Valsa de esquina, Cantiga de ninar, Valsa-Choro e Suíte para flauta e piano foram gravadas do CD “Música para flauta: Camargo Guarnieri e Francisco Mignone”, lançado pela PAULUS em 2007 com José Ananias, Ricardo Ballestero e Sávio Araújo.
[5] O comentário de Mignone foi gentilmente fornecido pelo saudoso Prof. Heitor Alimonda e estava anexo a página título dos dois trios como “Dois trios compostos neste 1981… e algumas palavras esclarecedoras”.